“Eu canto Afrojazz a minha vida toda” — Jay Lourenzo

“Eu canto Afrojazz a minha vida toda” — Jay Lourenzo

Por Vevo Mbengi | BL NEWS

Quando se fala de Afrojazz em Angola, há um nome que surge de forma incontornável: Jay Lourenzo. Dono de uma voz singular, presença marcante em palco e uma identidade artística bem definida, Jay Lourenzo é amplamente reconhecido pelo público como um dos grandes intérpretes da música angolana contemporânea.

Em declarações recentes, o artista foi claro quanto à sua ligação profunda com o género: “Eu canto Afrojazz a minha vida toda. Desde o início da minha carreira”. Segundo Jay Lourenzo, a sua relação com o jazz começou muito cedo, ainda na adolescência, quando, por volta dos 14 anos, integrava experiências ligadas ao gospel jazz, antes mesmo de abraçar profissionalmente a música.

A influência familiar teve um papel determinante nesse percurso. Foi através do tio, membro de um grupo de gospel jazz, que Jay começou a ouvir e a vivenciar o género ainda aos 12 anos, acompanhando ensaios de um quarteto que ele descreve como “maravilhoso”. Esse contacto precoce moldou não apenas o seu gosto musical, mas também a sua visão artística.

Para o cantor, a música vai além do entretenimento. É espiritualidade, identidade e missão. “A existência de Deus e a música são tudo o que eu tenho. Não há sentimento maior que eu já tenha experimentado sem passar pela via da música”, confessou, revelando a dimensão emocional e espiritual que orienta o seu trabalho.

Sobre o seu processo criativo, Jay Lourenzo explica que nada acontece por acaso. As suas composições são reflexo do seu “eu interior” e seguem um tempo próprio: exigem paciência, orientação divina e, quando a inspiração surge, o desenvolvimento acontece de forma surpreendentemente rápida.

Apesar dos avanços do jazz em Angola — com mais palcos, maior visibilidade e um público cada vez mais interessado — o artista alerta para desafios estruturais ainda existentes. Um deles é a ausência de proteção social para os músicos. “O artista não tem seguro de saúde e, em situações críticas, ainda precisa mendigar assistência médica. Isso mostra que ainda não estamos bem”, afirmou, sublinhando que são poucos os que conseguem viver exclusivamente deste género musical.

Jay Lourenzo também partilhou alguns dos seus sonhos artísticos, entre eles a vontade de realizar uma fusão Semba-Jazz com Eddy Tussa e, a nível internacional, cantar ao lado de Sting, vocalista da banda inglesa The Police.

Sem se prender a rótulos, o cantor esclarece: “Eu não escolhi o estilo, encontrei-me nele. Mas não me limitei. Tenho ousadia para navegar por tudo aquilo que mexe comigo. Os meus trabalhos falam por si.” Ainda assim, reconhece que conquistar espaço, aceitação e reconhecimento em Luanda foi um dos maiores desafios da sua carreira.

O balanço atual, no entanto, é positivo. Jay Lourenzo destaca conquistas importantes, parcerias relevantes, maior valorização e respeito pelo seu trabalho, atribuindo esse crescimento à graça divina e à consistência artística.

Para o músico, o ano de 2024 foi especialmente marcante, refletindo também o impacto positivo das políticas culturais implementadas pelo Ministério da Cultura, sobretudo no apoio aos géneros musicais menos comerciais. “Que sigamos em frente, crescendo nos próximos anos”, concluiu.

No Afrojazz angolano, Jay Lourenzo não é apenas uma voz — é uma referência viva.

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