DIRECTOR-ADJUNTO DO SME DETIDO EM INVESTIGAÇÃO SOBRE VISTOS E CARTÕES DE RESIDÊNCIA
Luanda — Um novo episódio envolvendo suspeitas de irregularidades administrativas está a agitar os bastidores do Serviço de Migração e Estrangeiros (SME). O Serviço de Investigação Criminal (SIC) procedeu à detenção de Cláudio Vandunem, director-adjunto da instituição, no âmbito de uma investigação que apura alegadas práticas irregulares relacionadas com a emissão de vistos e cartões de residência em Angola.
A detenção ocorreu na última terça-feira, 11 de Março, e faz parte de uma operação mais ampla que também envolve outros responsáveis ligados ao gabinete do director-geral do SME. No mesmo processo, foi igualmente notificado o intendente de imigração José Silva, que exerce funções como chefe do gabinete do director-geral da instituição.
Segundo informações ligadas ao processo, Cláudio Vandunem, antigo quadro do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE), integra o grupo de responsáveis que passaram a exercer funções no SME desde finais de 2024, período em que a actual direcção assumiu a liderança da instituição.
As investigações em curso apontam para suspeitas de irregularidades em actos migratórios, bem como possíveis movimentações financeiras consideradas atípicas envolvendo receitas da instituição. Fontes próximas da investigação indicam que mais de 20 mil milhões de kwanzas terão sido transferidos de uma conta do Banco Económico para outra conta no Banco de Comércio e Indústria (BCI). Posteriormente, parte desses valores teria sido canalizada para empresas alegadamente ligadas a membros da direcção do SME.
Outro ponto que está sob análise das autoridades diz respeito à emissão de vistos de trabalho. De acordo com a legislação angolana, estes documentos devem ser emitidos pelas missões consulares de Angola no exterior. Contudo, há suspeitas de que alguns desses processos teriam passado a ser controlados directamente pelo gabinete do director-geral do SME.
As investigações também procuram esclarecer alegações segundo as quais intermediários de determinadas nacionalidades teriam sido autorizados a tratar da recolha de vistos e cartões de residência para cidadãos estrangeiros — uma prática que levantou suspeitas e motivou o aprofundamento das diligências por parte das autoridades.
O caso continua sob investigação e poderá envolver outros quadros da instituição, incluindo o próprio director-geral do SME, cuja nomeação é feita por despacho presidencial.
A evolução do processo deverá trazer novos desenvolvimentos nos próximos dias, num caso que volta a colocar a gestão dos processos migratórios e a transparência institucional no centro do debate público em Angola.
BL NEWS — Informação que rompe barreiras.

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