ESCÂNDALO NO CETEP DO CALUMBO: Profissionais denunciam dormir no chão, fome nos turnos e clima de intimidação após nova direcção



Profissionais de saúde do Centro Especializado de Endemias e Pandemias (CETEP), localizado no Calumbo, denunciaram publicamente aquilo que descrevem como um cenário de degradação das condições de trabalho após a entrada da nova direcção da unidade hospitalar. Segundo os relatos enviados à página Luanda Sul Line e acompanhados pelo BL NEWS, enfermeiros e outros funcionários afirmam estar a enfrentar dificuldades graves relacionadas com descanso, alimentação, transporte e ambiente psicológico dentro da instituição.

De acordo com os profissionais, uma das primeiras medidas da nova gestão foi a retirada dos dormitórios utilizados durante os turnos nocturnos, obrigando muitos trabalhadores a improvisarem descanso sobre pedaços de papelão no chão, situação considerada desumana tendo em conta o nível de exigência e risco da actividade hospitalar. Os denunciantes recordam que, aquando da inauguração da unidade, a ministra da Saúde Sílvia Lutucuta destacou a importância de garantir condições dignas aos profissionais, algo que, segundo afirmam, já não se verifica actualmente.

Outro ponto que tem gerado forte indignação entre os trabalhadores é a redução significativa da alimentação. Antes, os profissionais tinham direito a três refeições diárias, incluindo o chamado “mata-bicho” para os turnos nocturnos. No entanto, actualmente, os funcionários que trabalham à noite recebem apenas jantar, enquanto alguns profissionais do turno diurno relatam não ter acesso a qualquer refeição durante o período laboral. Há ainda receios de que o almoço venha a ser totalmente retirado, situação que aumenta a preocupação e o descontentamento entre as equipas 🍽️.

As denúncias incluem igualmente atrasos frequentes no transporte institucional. Segundo os relatos, anteriormente os autocarros garantiam o regresso dos trabalhadores logo após o término dos turnos, entre as 8h e 9h, mas actualmente muitos profissionais são obrigados a aguardar até às 10h ou 11h para regressar a casa. No período da tarde, alguns trabalhadores afirmam chegar às suas residências apenas por volta das 21h, o que tem provocado desgaste físico e emocional significativo 🚍.

Além das dificuldades logísticas, os profissionais descrevem um ambiente interno marcado por alegadas humilhações e pressão psicológica constante. Segundo os relatos, o director dirige frequentemente insultos aos funcionários, chamando-os de “incompetentes” e “burros”, criando um clima de medo dentro da instituição. Há ainda acusações de que o responsável afirma possuir ligação directa ao Presidente da República João Lourenço, o que, segundo os denunciantes, tem desencorajado muitos trabalhadores de formalizarem reclamações.

Outro episódio considerado grave envolve o desaparecimento de um monitor hospitalar avaliado em mais de quatro milhões de kwanzas. Segundo os profissionais, uma funcionária foi acusada sem provas concretas, tendo sofrido alegadamente agressão por agentes policiais presentes na unidade e corte salarial. Os trabalhadores afirmam ainda estar a ser pressionados a contribuir colectivamente para o pagamento do equipamento desaparecido, situação que levanta dúvidas internas sobre a gestão dos recursos.

Os denunciantes manifestam também preocupação com a possível instalação de câmaras nas salas de internamento, sobretudo nas alas femininas, alertando para riscos à privacidade dos pacientes durante momentos sensíveis como troca de roupa ou cuidados pessoais 📹.

Face a este cenário, os profissionais apelam à intervenção urgente das autoridades competentes, incluindo o Ministério da Saúde e a Inspecção Geral da Saúde, sugerindo a realização de visitas surpresa, principalmente em horário nocturno, período em que afirmam ser mais visíveis as dificuldades enfrentadas. Os trabalhadores garantem que apenas pretendem exercer as suas funções com dignidade, respeito e condições humanas adequadas dentro de uma unidade considerada estratégica no combate a doenças endémicas e pandémicas.

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.