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Estrela da Amadora passa para mãos alemãs em negócio de 40 milhões de euros

 


Por Francisco Pedro

Thomas Müller, Mats Hummels e Yann Sommer integram grupo investidor que adquire 90% da SAD tricolor

Desporto | BL NEWS

O futebol português volta a despertar o interesse de investidores internacionais. O Estrela da Amadora passa a contar com um grupo de investidores alemães entre os principais accionistas da Sociedade Anónima Desportiva (SAD), numa operação avaliada em 40 milhões de euros e que envolve a aquisição de 90% do capital.

Entre os nomes associados ao consórcio encontram-se antigas estrelas do futebol alemão e internacional, como Thomas Müller, Mats Hummels e Yann Sommer, numa operação que poderá representar uma nova era para o emblema da Reboleira.

Paulo Lopo deixa a liderança

A operação representa também o encerramento de um ciclo para Paulo Lopo, actual presidente e accionista maioritário do Estrela da Amadora.

Lopo, que assumiu o controlo do clube em 2020, deixa os cargos directivos na sequência da concretização do negócio. A operação ganha particular dimensão financeira tendo em conta que, à época, o clube havia sido adquirido por cerca de 72 mil euros.

Na nova estrutura, Johannes Mosmang, antigo futebolista alemão de 35 anos que posteriormente iniciou carreira como treinador, deverá assumir a presidência do clube.

Francisco Lopo, por sua vez, permanecerá como director executivo, assegurando a continuidade da gestão operacional durante o período de transição.

Investimento chega num momento financeiro delicado

A entrada dos investidores alemães acontece num período particularmente complexo para as contas do Estrela da Amadora.

O clube enfrenta um quadro financeiro marcado por prejuízos acumulados na ordem dos 20 milhões de euros e um passivo global estimado em cerca de 25 milhões.

Perante as dificuldades financeiras, a SAD recorreu ao Plano Especial de Revitalização (PER), procurando uma solução que permitisse reestruturar as suas responsabilidades e garantir a continuidade da actividade desportiva.

Entre as propostas apresentadas estava um pedido de perdão de aproximadamente 90% da dívida, considerado pela administração como essencial para assegurar o cumprimento das obrigações perante trabalhadores, Estado e outros credores.

Contudo, o pedido acabou por ser rejeitado pelo Tribunal de Sintra, acrescentando mais pressão a um processo de reestruturação que já era acompanhado com atenção pelo futebol português.

Flamengo e Estado português entre os principais credores

A situação financeira do clube torna-se ainda mais complexa devido à dimensão e diversidade da sua lista de credores.

Entre os principais credores surge o Flamengo, do Brasil, com uma dívida apontada em cerca de 5,7 milhões de euros. O Estado português surge igualmente entre os credores, com aproximadamente quatro milhões de euros.

A lista inclui ainda a agência Yes Sports, com cerca de 1,3 milhões de euros, e o FC Hermannstadt, da Roménia, a quem estarão associados valores próximos de 1,1 milhões de euros.

Contratação de jogador gera controvérsia

O processo de recuperação financeira do Estrela ficou ainda marcado por alguma polémica depois de a SAD ter realizado um investimento de cerca de um milhão de euros na contratação de um jogador, enquanto decorria o processo de reestruturação da dívida.

A decisão gerou críticas e levantou questões sobre a estratégia financeira adoptada pela administração num momento em que o clube procurava obter condições especiais junto dos credores.

O plano apresentado pela SAD apontava para receitas futuras de aproximadamente 14 milhões de euros, provenientes sobretudo da valorização e venda de jogadores e da exploração comercial do Estádio José Gomes.

Uma nova era para o Estrela

Fundado em 1932 e vencedor da Taça de Portugal em 1990, o Estrela da Amadora atravessou um dos períodos mais difíceis da sua história, tendo desaparecido em 2011 na sequência de um processo de insolvência.

O clube ressurgiu em 2020 e voltou progressivamente aos principais palcos do futebol português.

Agora, a chegada de um grupo de investidores com figuras de enorme reconhecimento internacional coloca novamente o Estrela no centro das atenções.

A grande questão passa por saber se o capital estrangeiro será suficiente para reorganizar as finanças, estabilizar a estrutura e construir um projecto desportivo sustentável.

Para Thomas Müller, Mats Hummels, Yann Sommer e os restantes investidores, começa agora um desafio muito diferente daquele que conheceram dentro das quatro linhas: transformar investimento em estabilidade, competitividade e futuro para o Estrela da Amadora.

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