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JOÃO LOURENÇO ALERTA PARA “ANARQUIA MUNDIAL” E DEFENDE REFORMA PROFUNDA DO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU

Presidente angolano diz que a lógica da força está a substituir a força da razão e da lei e pede maior representação de África, Ásia e América Latina



Por A Vevo Mbengi

Nova Iorque — O Presidente da República de Angola, João Lourenço, alertou para o agravamento da instabilidade internacional e defendeu uma profunda reforma da Organização das Nações Unidas (ONU), considerando urgente a construção de uma ordem mundial mais democrática e representativa.

Ao discursar na 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, o chefe de Estado angolano afirmou que o mundo vive actualmente num cenário de “anarquia mundial”, no qual, segundo as suas palavras, a lógica da força tem vindo a sobrepor-se à razão, ao direito internacional e às normas que regulam as relações entre os Estados.

O debate geral da 81.ª sessão decorre sob o lema “Restaurar a confiança, gerir a transformação: uma Organização das Nações Unidas ao serviço de todos”, num momento em que a própria ONU tem colocado no centro das discussões a necessidade de recuperar a confiança no multilateralismo e reforçar a capacidade da organização para responder às crises globais.

ALERTA PARA O AGRAVAMENTO DOS CONFLITOS

Durante a sua intervenção, João Lourenço manifestou preocupação com o actual quadro de segurança internacional e apontou conflitos e tensões em diferentes regiões do mundo.

O Presidente angolano condenou o terrorismo nas suas diferentes formas e afirmou que a situação de paz e segurança internacional tem vindo a deteriorar-se.

Na sua avaliação, a utilização da força, a intimidação e a imposição unilateral de interesses estão entre os factores que contribuem para o aumento da instabilidade em várias regiões.

João Lourenço alertou ainda para as consequências humanitárias e económicas provocadas pelos conflitos, incluindo impactos sobre a segurança alimentar e energética.

ANGOLA PEDE REFORMA DO CONSELHO DE SEGURANÇA

Um dos pontos centrais do discurso foi a necessidade de reformar profundamente o Conselho de Segurança das Nações Unidas.

João Lourenço defendeu uma estrutura que, na sua perspectiva, corresponda melhor à realidade geopolítica contemporânea, com uma representação adequada de África, América Latina e Ásia, incluindo a possibilidade de participação como membros permanentes com os poderes inerentes a essa condição.

Para o Presidente angolano, a actual configuração do Conselho de Segurança reflecte essencialmente uma realidade criada após a Segunda Guerra Mundial e precisa de ser repensada perante as transformações ocorridas nas últimas décadas.

A discussão sobre a reforma das Nações Unidas surge num momento em que a organização procura responder a críticas sobre a sua capacidade de actuar perante conflitos e crises internacionais. O próprio debate da 81.ª sessão tem destacado a necessidade de reforma, cooperação e recuperação da confiança no sistema multilateral.

“UMA NOVA ORDEM MUNDIAL”

Na tribuna das Nações Unidas, João Lourenço defendeu uma nova abordagem para a governação global, baseada no respeito pelo direito internacional, no diálogo e numa maior inclusão dos diferentes blocos e regiões do mundo.

O chefe de Estado angolano considerou que a ONU continua a ser a principal instituição internacional com legitimidade para promover o diálogo entre as nações e procurar soluções para os grandes desafios globais.

A posição apresentada por Angola surge num debate internacional marcado por conflitos prolongados, crescente tensão geopolítica e discussões sobre a capacidade das instituições multilaterais para responder aos desafios actuais. O secretário-geral da ONU, António Guterres, também alertou, na abertura do debate geral, para o aprofundamento das divisões internacionais e para o enfraquecimento da confiança e do respeito pelo direito internacional.

ANGOLA DESTACA PAPEL NA PROMOÇÃO DA PAZ

Durante o discurso, João Lourenço também apresentou algumas das iniciativas desenvolvidas por Angola no domínio da paz e segurança em África.

Entre os exemplos mencionados esteve a Cimeira Extraordinária da União Africana sobre mecanismos de prevenção, detecção e resolução de conflitos, realizada em Luanda, bem como o Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não Violência — Bienal de Luanda, previsto para Outubro.

A intervenção de João Lourenço colocou, assim, Angola no debate sobre os mecanismos de prevenção de conflitos e sobre a necessidade de reforçar a cooperação internacional.

O QUE ESTÁ EM CAUSA?

O discurso do Presidente angolano coloca no centro da discussão três questões:

1. Segurança internacional — o agravamento dos conflitos e das tensões entre Estados;

2. Reforma das instituições multilaterais — sobretudo a composição e funcionamento do Conselho de Segurança da ONU;

3. Representação de África — a reivindicação de uma participação mais ampla e permanente dos países africanos nas estruturas de decisão global.

Enquanto os líderes mundiais discutem o futuro do multilateralismo, Angola defende que a paz internacional passa por instituições mais representativas, pelo respeito pelas regras internacionais e pela procura de soluções através do diálogo.

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