Délcio Dóllar critica postura da nova geração do Rap angolano e reacende debate no movimento

Délcio Dóllar critica postura da nova geração do Rap angolano e reacende debate no movimento

Por Vevo Mbengi | BL NEWS

O rapper angolano Délcio Dóllar voltou a estar no centro das atenções após fazer duras críticas ao comportamento e à estratégia dos artistas da nova geração do Rap em Angola. As declarações foram feitas durante uma transmissão em directo no Instagram, realizada na passada segunda-feira, 1 de Janeiro, e rapidamente ganharam repercussão nas redes sociais.

Sem rodeios, Délcio demonstrou preocupação com o rumo do hip-hop nacional, acusando os novos rappers de falta de atitude, visão estratégica e competitividade. Segundo o artista, esse vazio tem permitido que músicos oriundos dos bairros periféricos, muitos deles com forte ligação ao Kuduro, assumam hoje um protagonismo que antes pertencia ao Rap.

“O que se passa? Vocês estão a deixar esses wis do Kuduro vos tirar o pão. Neste momento, quem está a liderar o movimento são os rappers do bairro”, afirmou Délcio Dóllar, num tom directo e provocador.

A crítica reacendeu um debate antigo, mas cada vez mais actual, sobre a identidade do Rap angolano, o seu posicionamento no mercado e a crescente fusão entre estilos urbanos. Para Délcio, o problema não está na ascensão de artistas de outros géneros, mas sim na falta de organização e ambição de quem deveria defender e fortalecer o Rap como movimento cultural.

Internautas e analistas musicais interpretaram as declarações como uma possível reacção ao destaque recente de nomes como 12 Furos, cuja ascensão tem sido impulsionada pelas redes sociais e pela forte aceitação popular, sobretudo nos bairros.

O episódio expõe uma realidade incontornável: o cenário musical angolano está em transformação, e o Rap enfrenta o desafio de se reinventar para não perder relevância num mercado cada vez mais dinâmico, competitivo e influenciado pelas vozes das periferias.

O debate segue aberto, dividindo opiniões entre os que concordam com o alerta de Délcio Dóllar e os que defendem a evolução natural da música urbana em Angola.

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